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Técnicas de proteção da MADEIRA perante patologias!


O uso da madeira pelo homem como sistema construtor remete às origens da edificação, tanto como elemento estrutural e como acabamento. A madeira é constituída por uma estrutura tubular de condutas paralelas formadas com base na lenhina e celulosa, o que lhe confere uma reação mecânica ótima no sentido das fibras.

Oferece ainda boa resistência à compressão e excelente resistência à tração, é um material flexível, pode ser cortado e moldada de varias formas, com fácil união por colagem ou embutido. Porém possui algumas desvantagens já que é uma material anisotrópico,ou seja suas propriedades mecânicas dependem da disposição de suas fibras, tem composição irregular, e é vulnerável a agentes bióticos e abióticos causadores das principais patologias.

Patologias geradas por agentes abióticos
· Danos causados pela água
A água, em contato com a madeira penetra através das fibras, saturando os poros tubulares e quando alcança graus de umidade entre 25- 35% produz o empolamento da mesma. Afeta o cerne e só em algumas ocasiões o borne, criando as condições propícias para o aparecimento de fungos de apodrecimento e para manter as condições de habitat de insetos xilófagos, fundamentalmente térmitas e carcoma. A perda por secagem desta umidade produz quebras na madeira com o conseqüente aparecimento de brechas, fendilhamento e fissuras.

· Danos causados pela umidade
Uma habitual fonte de problemas para a madeira reside no contato com a água ou umidade ambiente elevada. No entanto somente a retenção da umidade, não degrada a madeira mas potencializa o risco de degradação deste material por determinados agentes biológicos, já que estes só atacam a madeira quando o seu teor em água atinge determinados valores.

Especificamente, quando a madeira permanece em condições de umidade elevada por períodos longos, pode ser atacada por fungos ou por térmitas subterrâneas que dela se alimentam.

Apesar das variações de umidade ambiente, e a conseqüente alteração do teor em água da madeira, provocarem variações dimensionais e de resistência mecânica das peças (as dimensões aumentam e a resistência diminui para um acréscimo de teor em água), trata-se de um efeito reversível. Ou seja, embora os ciclos de secagem e umedecimento poderem conduzir ao desenvolvimento de fendas e empenos, geralmente sem implicações para a resistência mecânica, a madeira recupera as dimensões e a resistência inicial quando o seu teor em água volta ao valor inicial. Porém a umidade elevada também amplia os fenômenos de fluência da madeira, provocando grandes e graves deformações sob a ação de cargas.

· Danos causados pelo carregamento
Também as condições de carga afetam a estrutura. Pois elementos estruturais que tenham estado sujeitos a esforços muito elevados (próximos da respectiva tensão de ruptura), poderão sofrer danos internos capazes de reduzir a sua capacidade de carga. A introdução de esforços inadequados devidos a modificações intencionais (adaptações, alteração de áreas) ou acidentais (cedência de apoios, etc) do funcionamento estrutural tem sido uma freqüente causa de danos.

Veja também: Como tirar arranhões de móveis.

· Danos produzidos pelo sol
Este tipo de ataque é causado pela ação dos raios ultravioletas sobre a lignina, atacando a madeira mais branda do borne e produzindo o desfibramento superficial com o conseqüente aparecimento de crista (período de Outono/Inverno), vales (Primavera) e manchas de tons cinzentos causadas pela foto/degradação. Estes danos afetam elementos vistos e só têm transcendência estética.

· Danos produzidos por variações de temperatura.
A madeira suporta bem as mudanças de temperatura sempre e quando sejam lentas e progressivas, já que se assim não for poderiam causar fendas ou fissuras, dando origem a vias de entrada de umidade favorecendo o aparecimento de fungos e insetos xilófagos.

Patologias geradas por agentes Bióticos
· Danos causados por fungos.
Os fungos, só por si mesmo não atacam diretamente a madeira, mas geram umas substâncias fibrosas “hifas”, que se introduzem pelas fissuras da madeira degradando-a. Dentro da classe dos fungos distinguimos os cromógenos, que embora possam afetam ligeiramente a capacidade resistente da madeira, mas o principal efeito é o aparecimento de manchas azuladas que atuam nas madeiras submetidas a temperaturas baixas. Outros tipos de fungos mais perigosos são os do apodrecimento/putrefação, que afetam as capacidades mecânicas da madeira, destruindo a estrutura das fibras. O seu excelente desenvolvimento dá-se com graus de umidade entre 35 e 60% e ambiente ácido. A ainda putrefação branca (frondosas) ou castanha (coníferas) dependendo da lesão causada, distinguiremos entre fibrosas, corrosivas e cúbicas, sendo estas últimas as mais danosas.

· Danos produzidos por insetos xilófagos.
Os insetos xilófagos constituem os agentes bióticos mais freqüentes nas madeiras de edificação afetadas pela degradação. Estes atacam a madeira na sua fase de larva, enquanto decorre o seu desenvolvimento e crescimento, habitualmente quando chegam à idade adulta perfuram a madeira e saem para o exterior, não voltando à madeira até porem ovos que iniciam um novo ciclo vital.

Os isópteros (térmitas, conhecidas como cupim) constituem um caso excepcional, já que não têm fase larva ao chegar a adultos não abandonam a madeira, tornando-se mais difícil a sua detecção.

De seguida, destacamos as principais espécies de xilófagos:

Térmitas (Cupim)
O cupim nas construções é motivo de grande preocupação e de prejuízos importantes. Madeira preservada é uma solução inteligente para evitá-lo – e a outros organismos xilófagos – com a melhor relação custo/benefício do mercado.

Em outros países, são chamados de térmita, espécime dos isópteros.

Quer dizer, inseto de quatro asas membranosas iguais e um poderoso aparelho bucal para mastigar, do tipo social, organizado.Existem cerca de duas mil espécies de cupins , que são insetos bio degradores,

Dessa variedade enorme de espécies, poucas causam prejuízos ao homem infestando suas casas, devorando móveis e livros. Destacam-se os cupins de madeira seca e os cupins subterrâneos os mais terríveis. Sua crescente proliferação nas cidade são conseqüência dos desequilíbrios ecológicos causados pelo homem, o qual elimina os predadores naturais desse inseto, e o oferecem alimento abundante com técnicas de construção que não preveem tratamento de madeiras.

Os cupins de madeira seca formam seus ninhos dentro de uma única peça de madeira. Um móvel, por exemplo. Ali o casal real e os outros cupins e permanecem até acabar o alimento. Dentre as peças mais comumente atacadas pelo cupim de madeira seca, destacamos o batente de portas e janelas (que ficam fixo, sem movimento, em contato com a parede), móveis e armários embutidos, rodapés e forros de madeira.

Já o cupim subterrâneo esconde seu ninho debaixo da terra,criando túneis enormes por onde se deslocam os operários que vão buscar comida longe, às vezes até mais de cem metros de distância do ninho. Atacam sempre no sentido das fibras, mediante galerias de secção constante, deixando finas lâminas entre elas. Atacam todo o tipo de madeiras, exceto o teixo.

O pó granulado, geralmente encontrado próximo as peças atingidas é o excremento do cupim, e sinal da infestação. Através dele pode-se diferenciá-lo da broca, um outro inseto que também degrada madeira. O pó bem fino, como talco, geralmente é de broca. Aquele mais granulado é, geralmente, do cupim de madeira seca. Já o pó do cupim subterrâneo mal aparece. Cupim subterrâneo recicla as próprias fezes, fazendo as paredes dos túneis por onde se deslocam sendo difícil de notar sua proliferação.

Os cupins são insetos sociais utilizam um sistema hormonal – os chamados feromônios – para dizer se há muito ou pouco alimento, ataques sofridos, etc. Logo para elimina-los é preciso atingir o casal real,ou ocorrerá uma nova infestação virá com toda a força. A melhor resposta é informação, madeira preservada e tratada.

Relógio a morte (Xestobium rufovillosum):
O seu âmbito geográfico localiza-se nas regiões nórdicas. O seu ataque está associado à existência de fungos xilófagos. Necessita de bastante umidade e temperaturas baixas e só ataca madeiras mediante o tracejado de galerias irregulares de secção circular.

Ergates faber L:
Cerambicido de tamanho grande que necessita de umidade em altas temperaturas (50 a 75%) e a temperatura (25%) para proliferar. Ataca as coníferas especialmente situadas no exterior (postes e vigas isentas), sendo resistente aos tratamentos com que se impregnam habitualmente estes compartimentos.

Veja também: Como fazer escada de madeira simples.

Técnicas de proteção, intervenção e reparação 

Os tratamentos preventivos e curativos utilizados mais freqüentemente para prevenir ou evitar os ataques dos agentes destruidores da madeira. Estes produtos são denominados de forma comum velaturas cuja característica principal é a de proteger a madeira contra diversos tipos de ataques que possam sofrer sem formar película sobre a superfície tratada. Entre os produtos mais utilizados são:

Protetores naturais: São substâncias que provêm da dilatação da hulha. Entre as vantagens mais importantes destacamos a sua grande capacidade de fixação e proteção perante agentes xilófagos. O seu maior inconveniente é o mau cheiro destas substâncias e a dificuldade na sua aplicação, sendo recomendável o uso de autoclave.

Protetores hidrossolúveis: Substâncias a partir de sais de diferentes metais (zinco, cobre, cromo, etc.) com funções fungicidas e fixadoras na madeira. São a melhor solução protetora perante elementos de madeira em contacto com os solos ou elementos temporariamente úmidos. A sua principal vantagem está no fato permitir a posterior pintura da madeira ainda que provoquem empolamentos e retrações no momento da aplicação, e posteriormente na secagem devido ao uso de água enquanto dissolvente.

Protetores orgânicos ou oleosos: São formulações complexas nas que se dão matérias ativa sintéticas e dissolventes orgânicos. Dependendo do uso que lhe for dado, podem-se classificar-se em:

· Preventivos curativos: Também conhecidos como fundos protetores. Aplicam-se em madeiras novas e têm uma função principalmente fungicida e um pouco menos inseticida. A sua aplicação pode ser mediante pincelado ou imersão.

· Preventivos decorativos: São produtos oleosos para acabamento de madeiras a poro aberto. A sua ação fungicida e inseticida é menor que a dos fundos protetores, mas incorpora pigmentos minerais resistentes à foto degradação.

· Protetores curativos: Usa-se para combater os ataques de organismos xilófagos. Estes são de fácil aplicação e grande capacidade de penetração, mas um pouco mais caros que os anteriores dependendo do tipo de tratamento.

Veja também: Como fazer um varal de madeira.

Tratamentos específicos perante diferentes agentes
Tratamento perante a umidade: Em janelas, portas exteriores maciças, marcos, cortinas:Impregnação por imersão, pintada com soluções oleosas repelentes à umidade, antes de proceder à aplicação de pinturas e vernizes.

Em soalhos e revestimentos, aplica-se uma película de parafinas, ceras ou produtos impermeabilizantes, antes de proceder ao lustre das superfícies.

Em caso de soalhos de madeira colocados sobre argamassa é fundamental esperar que a mistura esteja adequadamente seca, para evitar o umedecimento da madeira.

Em estruturas de coberturas, tabiques e teto, bem como a madeira serrada (dentada) com superfícies transversais expostas ao meio: Impregnação similar das janelas e portas exteriores, com aplicação de produtos selantes nos extremos (cabeçais), devido a que a perda e absorção da umidade é máxima no sentido das fibras.

Tratamento perante a ação do fogo: Para poder conseguir uma proteção eficaz e intrínseca contra o fogo na madeira, a solução mais utilizada é a aplicação de vernizes à base de resinas especiais e borracha c/ cloro, bem como pinturas com agentes ativo que na presença da chama empolam/incham, formando uma espuma carbonizada que isola a superfície coberta.

Tratamento perante a ação do sol: Os mais eficazes são os que incorporam óxidos metálicos que refletem a radiação ultravioleta do sol, responsável pelo aparecimento de fissuras na madeira

Tratamento perante o ataque de xilófagos: No caso de térmitas e carcomas freqüentemente utilizam-se produtos a base de aldrín, heptacloro, ou compostos de sais de pentaclorofenol, com inseticida de contacto (DDT, dieldrin.) que se aplicam, mediante impregnação e injeção entre o elemento de madeira e a parede, bem como nas cabeças das vigas e perímetro de pavimento.

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